terça-feira, 14 de setembro de 2010

Em defesa das Princesas


Eu li um artigo no jornal local esta manhã onde a usual colunista semanal (meia-idade, casada, com filhos, acha que o Twitter é fabulosamente novo) lamentou e se consolou sobre o assunto da repentina adoração de sua filha de 2 anos pelas Princesas Disney (ou qualquer outra sem uma marca registrada, à propósito). A fascinação de sua garotinha parece se limitar a proclamar "Eu 'pincesa'" sempre que possível, e a escritora observa impertinentemente que isso se trata totalmente de identidade de gêneros, o que evoca memórias desconcertantes do porte cor-de-rosa de But I'm a Cheerleader. Ela então encerra com uma piada, como que se só fosse hora de se preocupar quando sua filha não tivesse passado da fase das princesas na madura idade de 8 anos.

Eu levantei uma sobrancelha sobre minha xícara de chá.

E quando sua filha tem 20 anos?

Como muitas lolitas que eu conheço, eu tenho um interesse em princesas e contos de fada. Eu tenho uma coleção de tiaras, uma maleta de maquiagem da Cinderela, e há uma coroa com glitter decorando meu netbook cor-de-rosa. Outras garotas podem se voltar a hime lolita ou hime gyaru, ou simplesmente se deliciar com temáticas de coroas. Lolita, demograficamente extendida desde jovens adolescentes até mulheres de 20 e poucos, 20 e muitos anos (ou mais), está bem longe daquele mercado típico de tweens (a idade entre a infância e a adolescência). E isso é considerado doentio?

A autora do artigo diz que um interesse em princesas é uma criança decidindo se ela se enquadra na categoria feminina e portanto o seu papel é o de princesa. Mas eu discordo que isso é tão Freudiano ou ordinário resolver que princesas são apenas o papel feminino padrão. Moda lolita, afinal, é desenvolvida para ser ultra-feminina. Das cores pastéis a renda, tecido macio, e pérolas, lolita junta todos os elementos femininos. Então se é apenas uma questão de gênero, por quê princesas continuam a ser populares?

Princesas, em contos de fadas e na literatura, tem sido romantizadas de suas origens feudais como poder de comércio de troca em heroínas de suas próprias histórias. A princesa é ajudada por fadas, desafiam masmorras ou profundos desfiladeiros, e são destinadas a um final feliz. A palavra "princesa" é como um gatilho para o leitor: essa personagem é especial. Ela está destinada a grandes coisas, e ela vive a altura dessas grandes coisas. E que garota não quer acreditar nisso, no final do dia, que ela também está destinada a grandes coisas? Que ela é merecedora dessas grandes coisas, e deve agir de acordo? É um tipo de auto-estima prometida a você. Não é à toa que tantas garotas mais velhas simplesmente não conseguem se desapegar da idéia de princesas. Nós ainda queremos pensar, enquanto nos sentamos em carteiras divididas na escola ou em apartamentos maltrapilhos, que nós estamos destinadas a grandes coisas algum dia.

Vamos trocar de marcha de contos de fada vitorianos para as princesas dos dias modernos - as das animações com franquias. Muitas feministas declaram que as princesas da cultura pop atual degradam a mulher como garotas loucas por encontrar um namorado e compulsivas por jeans de marca, mas não é isso o que eu vejo nas Princesas Disney. O tema em comum é aspirar por algo que está além de suas vidas atuais. Cinderela é a mais interessada em encontrar um homem, mas ela está fascinada com a idéia de se mudar da casa de sua madrasta e encontrar uma nova vida. Princesas mais atuais como Bela, Ariel e Jasmine tem sonhos de ver o mundo e encontrar novas pessoas. A princesa mais nova da Disney, Tiana, vai tão longe a ponto de aspirar a uma carreira e manter seu próprio negócio.

Minha noção favorita de princesas, de qualquer forma, vem do romance de Frances Hodgson Burnett, "A Princesinha". Sara, uma rica garotinha que tem sido tratada "simplesmente como uma princesinha" se encontra de repente órfã e sem dinheiro algum. Mas ela decide ser uma princesa de qualquer maneira, para ela mesma - o que ela define como ser gentil, corajosa, e forte frente às adversidades. Embora zombem dela por causa de suas idéias de princesas, os outros personagens, incluindo sua perversa diretora, não podem evitar se impressionar com seu comportamento nobre.

O mundo de hoje está cheio de princesas incomuns, tanto na vida real quanto na literatura e filmes. Há as mori girls, estranhas princesas da floresta, há princesas que são realmente "garotas-isca" de Louisiana. Há as filhas primogênitas da Casa Branca, e as princesas frívolas e extravagantes de livros infantis. Há princesas em castelos antigos e em coberturas de Nova York. Princesas há muito tempo deixaram de ser apenas garotas com sangue real, ou garotas com dinheiro para esbanjar em lindos vestidos, ou garotas que podem casar com o príncipe. A palavra princesa se tornou sinônimo de heroína. E é isso que eu acredito que lolita faz pelas garotas: elas descobrem, ou talvez decidem, que elas serão as heroínas de suas próprias histórias.

E se uma garotinha tem vinte anos e acredita que ela é sua própria heroína, ou se ela tem noventa anos e acredita que ela é sua própria heroína, então eu não vejo nada de errado com princesas.


Créditos:
Original:
In Defense of Princesses - Lolita Charm
Tradução: Ichigo

16 comentários:

  1. Pensei que você tinha escrevido este artigo rsrs
    Eu concordo com a idéia que a autora do texto quis passar.
    Então, se eu gosto de gótico, da morbidez e sangue significa que é algo doentio ou ruim para essa crônista?
    Acho que a crônista que a criticou se reteu em ver a sociedade de apenas uma maneira, cada pessoa tem seus valores diferentes, e devemos respeitar isso apenas.

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  2. Diana :3 ( princess Ai, hihi 8D )14 de setembro de 2010 13:29

    cara Ichigo, eu precisava mesmo ler um texto desse.
    Obrigada pela tradução. Agora entendo bem melor a definição de princesa. ^__^

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  3. È um otimo texto, eu fiquei emocionada.

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  4. Tudo bem que algumas mulheres nunca quiseram ser princesas, mas elas não tem o direito de impedir que outras garotas sejam, nem determinar como as filhas devem ver a si mesmas. Adorei o este seu artigo.

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  5. Adorei o artigo... essa é uma coisa a qual brigo faz um tempo.

    Para mim, o fato de eu me sentir uma princesa é, sem dúvida, uma manifestação da minha identidade de gênero. E além disso, é algo de que me orgulho muito, por isso os pequenos exageros de minha parte. rs

    Hoje em dia o feminino é muito desvalorizado. Visto como frágil e como uma qualidade que "nem mesmo" uma mulher pode ter... quando, na verdade, o feminino é necessário ao mundo e não pertence tbm só às mulheres.

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  6. Olha, pra falar a verdade, eu até entendo o que a escritora do artigo citado no artigo(?) quis dizer.

    Não creio que ela esteja falando desse ideal de princesa de almejar algo, entende? Mas creio que ela estivesse querendo falar da pessoa que se perde da realidade e não nota o sentindo mais profundo e real que uma princesa tem (o que uma criança não nota, claro).

    Toda mulher gosta de se sentir uma princesa. Bonita, almejando uma coisa melhor para si, entre outras coisas, mas muitas ainda se prendem no conceito "mulher riquinha, com "classe", fútil, a procura do príncipe encantado".

    Fugindo disso eu acho que TODA mulher devia ter o pensamento saudável de querer ser uma "princesa".

    Acho que eu não me expliquei direito, mas já falei demais e eu fico por aqui 8D

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  7. Ave, a mãe da menina deveria se preocupar se ela disse "eu funkeira" e não por ela gostar de princesas, não da pra entender. Adorei o artigo de defesa!

    E finalmente fiz o meme!!! Achei mto legal, obrigada por ter me indicado!!!

    Bjão!!

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  8. Muito bom mesmo esse port n_n

    Waaahhhhh e domo arigato pelo elogio do meu blog *-*
    Tô te seguindo n_n

    Adorei os morangos de fundo muito lindos ^^~~~~~~~~~~~~~

    Kissusssss

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  9. Amei o texto!
    Eu sempre pegava um pouco das princesas da disney e tentava aprender algo com elas ^^

    Pena que hoje em dia as garotas perderam o interesse em ser educadas, determinadas, etc...

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  10. adorei o texto ^-^
    *esperando ansiosamente mais posts*

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  11. Eu gostei muito do texto, ótima tradução madrinha. x3

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  12. Adorei o texto!!!
    Não há nada de errado em se sentir ou querer ser uma princesa! Se sentir bonita e ainda assim forte e dedicada.

    "Eu levantei uma sobrancelha sobre minha xícara de chá." - morri aqui com a frase xD

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  13. Bem, como você disse no meu blog, a cronista quis dizer que tudo em excesso era ruim, como viver no mundo da fantasia rsrs Mas ela apenas se reteu a ver o lado ruim das coisas, e não viu que isso é até saudavel, assim como as pessoas que gostam de gótico (é claro que a gente não vai em um cemitério procurar um cadáver e tirar um crânio dele O.o) LOL
    ;-*****

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  14. eu concordo tbm com essa defesa. pq eu acho que td garota dependendo de sua idade ou não tem o direito de ser o que quiser!.

    ps: tenho 16 anos e amo rosa , princesas, alice no país das maravilhas etc. acho que "esse mundo" faz eu me sintir melhor.

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  15. Hey, Ichigo! Posso reblogar esse post? (tudo bem se não puder, viu! Hehe)

    Super concordei e adorei esse texto! Junta com um outro que li há muito tempo, "Não preciso de coisas como amigos", acredito -etoo-
    Essa idéia de uma daminha emocionalmente forte e independente, mas sem abandonar sua rendas e lacinhos... É bem o que procuro pra mim n__n
    Vejo isso muito nos filmes da Barbie tbm, nessas princesas que ela protagoniza *_*

    E nada haver isso de idade, provadíssimo!
    Um dos sonhos da minha madastra é ter um quarto rosa só pra coleção de ursinhos e futuras bonecas @___@

    Beijos, ótima tradução! \õ\
    *super saudade dessa vida de blogs*

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  16. eu realmente me impressionei com o nível do texto e da forma como ele aborda os assuntos: princesas, infância, Lolita e ter 20 anos ou mais! Concordo com as diretrizes adotadas pelo(a) autor(a), porque uma criança não pode ter 20 anos? ou uma pessoa de 20 anos não pode gostar de princesas? Eu realmente acredito ser importante termos nosso modelo feminino baseado em princesas também, afinal, o que tem de errado em lutar contra tudo e todos para realizar seu sonho? O que tem de errado em querer o melhor ou viver grandes coisas? Realmente acredito que INDEPENDENTE DA IDADE é sempre bom lembrarmos que podemos tudo, se lutarmos para conseguir, e é isso em que as princesas Disney me fazem pensar!!!
    Obrigada pela tradução =D

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