sexta-feira, 19 de março de 2010

A ilusão de uma jovem em florescência


Fantasia e conto de fadas não tem que ser confundidos. As duas coisas não são nem um pouco similares; são díspares como céu e inferno, como santidade e vulgaridade, e tanto quanto estamos preocupados nós devemos exterminar o conto de fadas da fantasia necessária. Ambas as coisas possuem o mesmo significado geral, porque são visões não-realistas e sonhos diurnos (enquanto estamos acordados), mas quando é sobre traduzí-las, não há uma grande diferença entre "É como um conto de fadas" e todo o gênero de fantasia? Claro que essa poderia ser a definição. De qualquer forma, quando as pessoas se referem a fantasia, elas estão com muita freqüência se referindo a contos de fadas, e isso é um grande problema. Nós devemos fazer uma clara separação de o que é fantasia e o que é conto de fadas. O sonho de uma santo é muito diferente do de um tolo, e ambos expressam características de sonho, embora o sonho diurnos seja completamente diferente em um nível atômico. A imanência de sonho de um conto de fadas tem a energia do humanismo antiquado que foi colorido com realidade. "Se eu tenho um sonho eu não posso ser derrotado!" "Não importa o que aconteça, eu seguirei meus sonhos!" Um conto de fadas procura o conforto e a gentileza em um sonho. Em um mundo pastel esmaecido, onde é absurdo acreditar que os corações das crianças sejam puros, um palhaço está derramando lágrimas sobre a falta de imaginação, e é isso que nós deveríamos rejeitar. Quando um "sonho" de fantasia cruza as fronteiras da realidade, resulta em um conflito. Quando nós estamos cansados da realidade, nós nos revivemos com fantasia. Então fantasia e realidade não são inimigos, são mais como suplementos.

Um conto de fadas é um sonho em forma de realidade, e a fantasia é a realidade em forma de sonho. Colocando de outra maneira, um sonho é a independência da possessão inflexível de uma visão de mundo. Um sonho é como se perder em um labirinto, com a decisão de nunca voltar. Edogawa Ranpo, Izumi Kyouka, Kafka, Delvaux, Bellmer, Ooshima Yumiko... todos esses, todos esses escritores que escolheram viver na fantasia, que não poderiam definir conto de fadas. Se nós traduzirmos fantasia como "ilusão", então conto de fadas também pode permitir-se traduzir como "ilusão"? O trabalho de Ooshima Yumiko, "Planeta de Algodão" (Wata no Kuniboshi), sobre chibineko (gatos minúsculos) que reconstruíram o mundo em um simples relance, é o que o shoujo mangá se tornou. No instante em que um sistema para contos de fadas foi escrito, isso leva ao fundamento de "Um estranho conto da ilha Panorama" de Edogawa Ranpo, sobre uma utopia escondida de grande vontade. Por causa da poesia, o mundo todo havia feito uma transição através de uma estética chamativa. O conto de fadas contido no gato protagonista de Ooshima tinha igual habilidade, mas em um estilo diferente, o que eu penso que seja uma mistura de fantasia já estabelecida sem a mesma qualificação. Hello Kitty e Miffy podem se tornar tanto conto de fadas quanto fantasia. A escolha é sua. Mas se você achar Hello Kitty insanamente linda, e apesar da técnica manufaturada áspera, no estilo Andy Warhol, você ainda grita "kawaii", então Hello Kitty provavelmente se tornou sua fantasia. Quanto a mim, eu acho que as bonecas Rika são adoráveis, eu acho que as bonecas de Yotsuya Simon são adoráveis, eu acho as ilustrações de Tenniel de Alice no País das Maravilhas adoráveis, e eu também acho que as fotografias de cadáveres de Joel Peter Witkin são adoráveis. Quando uma jovem segue alguém no suicídio por sua própria vontade, parece um sonho. Mas ela não pode acordar duas vezes, essa donzela em florescência que chegou ao fim.


Créditos:
Original:
Novala Takemoto em "Soleilnuit"
Tradução para o inglês: Wild Rose Lolita
Tradução para o português: Ichigo

Um comentário:

  1. Amei o post.
    O Novala Takemoto escreve muito bem! *-*

    Espero ler mais coisas dele por aqui *0*

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